
1992 - 2010
Querido Tiago
Aquele domingo amanheceu de uma notícia demasiadamente inesperada e profundamente dolorosa. Tinhas partido da nossa vida.
Ficamos incrédulos sem saber muito bem o que sentir porque se, por um lado, nos sentíamos felizes por te ter conhecido, por outro, a imensa dor da perda física paralisou-nos numa incessante busca de sentido que se converte numa única questão: PORQUÊ?
Habituamo-nos, desde há alguns anos, a partilhar esse sorriso aberto, esse olhar doce e calmo, essa postura de menino, essa atitude de adolescente alegre e discreto.
Alguns de nós nunca falamos contigo, Tiago! Outros cruzaram as suas vidas contigo numa qualquer sala de aula, em momentos de um intervalo, numa visita de estudo ou num olhar esporádico que agora se torna cada vez mais pleno de sentido.
De ti recordamos o teu cabelo loiro em desalinho, os teus casacos de um colorido geométrico, a tua postura de um qualquer modelo de Armani... mochila às costas, descendo, pausadamente, com os colegas do pavilhão cinco e pronto para ultrapassar os portões da escola...como que a lembrar-nos que a vida também se faz lá fora.
Fazes falta, Tiago! Fazes, sobretudo, falta aos teus pais e irmão, à tua família e amigos e, também, a esta escola que te recebeu para ajudar a crescer em termos profissionais e humanos.
Nela viveste, sabemos bem, alegrias contagiantes, desânimos passageiros, amizades inevitáveis, amores adolescentes, desencontros de opiniões e a partilha de sonhos e desejos.
Nela tiveste professores interessados com o teu futuro, felizes com os teus sucessos, preocupados com um ou outro estudo menos cuidado, com uma ou outra brincadeira inadequada, com um ou outro momento mais irreverente que, muitas vezes, nos aviva tempos idos agora reaprendidos com os alunos.
Por tudo isto, também nós nos sentimos tristes! Alguns de nós já perderam filhos...e essa é uma dor do tamanho do mundo! Muitos de nós viram partir os seus alunos e essa também é uma dor imensa.
Mas podes crer, Tiago, que a nossa escola não desiste dos seus alunos! Mesmo de ti. Continuarás a viver na nossa memória com esse sorriso loiro que nos irá envolver delicadamente numa SAUDADE que é tão nossa.
Disse um dia Fernando Pessoa: “Não partiram...deixaram apenas de ser vistos na curva da estrada!”
É precisamente isso, Tiago. Continuaremos o nosso percurso na terra, sabendo que, no céu, tu estás a olhar por e para todos nós!